Não seja o que abomina!

 

Eu cresci em um lar violento.

Até meus 12 anos de idade, vi comportamentos lastimáveis do meu pai, resposta repreensíveis da minha mãe, e por muito tempo, me vi parte disso.

Às vezes sentindo culpa, outras, repulsa... Não importa mais...

Fato é que, nos anos seguintes, eu me tornei um ser violento.

As respostas aos desagrados da vida eram sempre com brutalidades – às vezes gratuitas.

Certa vez, em uma das brigas com minha irmã – onde eu a agredi! Percebi que eu estava errado pela briga, a culpa não era dela então, do ponto de vista (dela), a agressão foi desmerecida ( hoje sei que de qualquer ponto de vista é descabido).

Então fiz um pacto com ela: - desse dia em diante nunca mais encosto a mão em você!

Não demorou muitos dias para que ela fizesse o teste!

Em uma bebedeira de jovens, onde sempre extrapolamos, ela disse chega!

- Nós vamos e você não! Porque você não tem mais condições de ir!

Eu, bruto e machista, na hora respondi:

- Quem você pensa que é pra me dar ordens!?

Não me lembro de muita coisa sobre a discussão, fato é que, minha irmã me levou pra dentro de casa aos pontapés e socos!

Eu fiquei muito, mas muito puto com tudo aquilo! Mas tinha feito uma promessa. Pra não quebrar minha promessa eu comecei a quebrar coisas em casa, até meu o sofá da minha vó eu destruí! Mas não coloquei a mão nela...

Daquele dia em diante, eu nunca mais entrei numa briga. Não por causa dessa promessa em si, mas porque eu levei uma surra merecida sem revidar. E valeu a pena!

Aquela surra foi uma catarse! Um meio para determinar um fim.

O mar de violência em que vivia reproduzia em mim violência. Eu não conhecia outra resposta.

A época em que isso aconteceu, eu tinha 24 anos. Foram 12 anos sendo um rebelde sem causa, brigando na rua a torto e direito, batendo em seja lá quer for, homem, mulher, trans, gay, namorada, irmã, pai...

Não passou muito tempo até meu pai morrer...

E veio novamente a culpa.

A culpa dessa vez veio sem a resposta agressiva, ao contrário, passiva.

Passei anos sem brigar no trânsito, sem me envolver em uma briga (não importavam os motivos – tinha medo de mim).

Optei (acertadamente) em beber em casa não em bares – sempre via confusões em bares.

Me tornei sim uma pessoa melhor, e sou grato por isso (principalmente a minha irmã).

Os erros, estão todos citados acima! Fazemos coisa que não conseguimos reparar!

Não é um pedido de desculpas, é um alerta!

Não são más pessoas que fazem coisas ruins, são as ditas - pessoas boas!

Mas a libertação está em saber:

- seus gatilhos;

 - seus medos;

- suas falhas;

- Não se torne aquilo que você odeia.

Conhecer a si mesmo não o fará mais feliz, mas sem dúvida nenhuma te fará uma pessoa melhor.

Digo isso 23 anos depois, não por ter descoberto isso agora, mas por ter ferramentas para dizê-lo, e de alguma forma, agradecer, quem fez isso comigo.

Cuidado com sua bondade. Cuidado com sua raiva. Cuidado com seu passado.

Eles podem estar guardados dentro de você e não saber lidar com eles.


Herbert Adomeit.

 

 

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