Cuidado com o que você carrega dentro de si
O que
carregamos dentro de nós? Porque carregamos tantas mágoas e rancores?
Tratando
sobre esse tema, um amigo me contou uma lenda antiga de origem Budista, que
tenho o prazer de reproduzir aqui para vocês:
Havia dois
monges, um velho mestre e seu aprendiz mais jovem que, na busca por perfeição e
completo isolamento na montanha da fé, começaram sua jornada com um voto: Não
tocar em nenhuma mulher e não mais falar até que lá chegassem.
Apenas dois
anos se passou desde que o pacto fora firmado por eles, mas sempre seguindo
firme em seus propósitos e voto de abstinência e silencio.
E certo
momento tinha que atravessar um rio, chamado “Rio da discórdia”, mas, ao se
aproximarem do rio, havia uma moça que suplicava ajuda para atravessar o rio:
- Não sei
nadar e não posso molhar minhas vestes e chegar molhada até meu senhor! Por
favor, me ajudem! Clamava ela aos recém-chegados.
O jovem
aprendiz ignorando os clamores da mulher, entra no rio e segue atravessando sem
olhar pra trás.
O velho
mestre olha para a moça, aponta para suas costas e se abaixa para que ela suba em
suas costas, sem dizer uma única palavra.
A moça
entende o gesto, sobe em suas costas e o velho a leva até o outro lado do rio.
O jovem, já
na outra margem vê incrédulo o que seu mestre fazia, mas apesar da indignação,
não diz nada (para não quebrar seus votos).
A mulher
agradece ao velho e segue seu caminho.
Os dois
amigos se olham e seguem em silencio.
Cerca de
três horas depois, o jovem aprendiz não podendo mais se conter, pergunta:
- Não dá pra
me conter! O senhor jogou dois anos de nosso voto sagrado por uma moça que
nunca viu e nunca mais verá! Como pode fazer isso comigo?
O velho olha
com serenidade para o jovem e responde:
- Achei mais importante à vida daquela moça do que nossos
votos. Porém, eu a larguei há três horas na margem do rio. Por que então você
ainda a está carregando dentro de você?
O conto,
muito conhecido e de fácil compreensão não precisa de interpretação.
Mas, não
poderia deixar de fazer uma reflexão simples sobre o mesmo:
A forma como
lidamos com as coisas e/ou as pessoas falam muito mais sobre nós do que sobre a
coisa em si.
Sempre que
algo se torna mais importante que a vida de outra pessoa, esse “algo” ou você
deve ser questionado (por você mesmo).
Se na busca
por santidade, elevação, crescimento pessoal você afasta, diminui ou
negligencia os outros, sua busca perdeu o sentido. Pois toda busca começa na
forma como seguimos a viagem.
Tudo ao
nosso redor deve e pode contribuir para nosso objetivo final – mesmo quando
aparentemente sejam contraditórios.
Aqueles que
julgam você, normalmente carregam o mesmo fardo ou maior e mais distante que
você.
Obrigado Alexandre Santos da Cruz

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